O menino João e o pé de feijão

Olha Aqui crônica



Na história clássica, o menino João troca o que tem de mais valioso por alguns grãos de feijão, acreditando em uma promessa extraordinária. À primeira vista, o gesto parece ingênuo, quase inocente. Mas, ao crescer durante a noite, o pé de feijão revela que toda escolha tem consequências — algumas gigantes, outras difíceis de sustentar quando vistas à luz do dia.

Na vida real, longe dos contos de fadas, um “menino João” também protagonizou recentemente um episódio que ganhou repercussão pública. O prefeito do Recife, João Campos, viu seu nome associado a uma decisão administrativa que despertou críticas e questionamentos: a nomeação de um procurador fora da ordem de classificação de um concurso público, furando a fila de aprovados que aguardavam, dentro das regras, sua vez de assumir o cargo.

Diferente do João da ficção, que sobe o pé de feijão movido pela curiosidade e pela esperança, o João da política governa com responsabilidades institucionais, amparado por leis, princípios constitucionais e pela confiança da população. No serviço público, não há espaço para atalhos mágicos. A regra do concurso existe justamente para impedir que escolhas pessoais se sobreponham ao mérito, à impessoalidade e à justiça.

O episódio provocou reação não apenas entre os candidatos aprovados, mas também na opinião pública, que cobra coerência entre o discurso moderno, técnico e democrático e as práticas adotadas na administração. Em um cenário onde a transparência é exigência básica, qualquer gesto que pareça driblar a fila soa como um feijão plantado em solo instável.

Na fábula, João enfrenta o gigante e volta para casa com recompensas. Na política, porém, decisões questionáveis não rendem tesouros, mas desconfiança, desgaste e cobranças. O pé de feijão pode até crescer rápido, mas sem raízes firmes, corre o risco de ruir ao primeiro vento mais forte.

E assim, a história nos lembra que governar não é conto de fadas. É compromisso com regras claras, respeito a quem esperou sua vez e responsabilidade com cada passo dado — porque, no mundo real, todo gigante acorda.


Texto: Olha Aqui Notícias 

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