Hoje, nas imponentes galerias de mármore da política pernambucana, desenharam-se duas cenas que poderiam muito bem ser partes de um mesmo ensaio — ou capítulos distintos de um romance que ainda se escreve.
De um lado, a Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE) pulsante. A governadora Raquel Lyra estava lá — firme, no centro do plenário, sob o olhar atento de deputados e jornalistas. Não foi apenas presença protocolar. Seu discurso foi afiado, direto: convocando parlamentares à realidade das urnas e às necessidades do povo, instigando aprovações e lembrando compromissos. Em meio ao clima pré-eleitoral e de tensão, Raquel resolveu estar onde a política pulsa — não para fugir, mas para enfrentar.
Enquanto isso, na Câmara Municipal do Recife, outro espetáculo político também se desenrolava — ou melhor, não se desenrolava. Os bancos estavam lá, as cadeiras arrumadas, vozes prontas para o retorno dos trabalhos legislativos, mas faltou quem personificasse o Executivo municipal no plenário: o prefeito João Campos não compareceu. Pela primeira vez em anos, ele não esteve presente na reabertura do ano legislativo de sua própria Câmara. No lugar dele, um secretário tentou representar o gabinete, e a ausência mexeu com os ânimos — gerou críticas da oposição e deixou no ar perguntas que ecoam nas rodas políticas da cidade e do estado.
Os dois atos poderiam ser contrastes de uma mesma peça: em uma ponta, a governadora que assume o palco apesar das vaias, das cobranças e das tensões — sabendo que presença é, em política, uma linguagem poderosa. No outro canto, o prefeito que optou por não subir ao tablado principal hoje, deixando seu nome ausente na primeira cena de um ano legislativo que promete ser determinante.Não se trata apenas de formalidade protocolar. É também simbologia. A presença ali, na ALEPE, significou disposição para responder, olhar nos olhos dos representantes e assumir suas batalhas — inclusive as difíceis. A ausência ali, na Câmara do Recife, ressoa como silêncio em meio ao barulho de um pedido de impeachment prestes a ser lido, e de expectativas por respostas concretas.
Nessa tessitura de encontros e desencontros, o que se aprende é simples, quase instintivo: quem vem, enfrenta o tempo, as perguntas e os olhares. Quem não vem deixa vozes — e suspeitas — ocuparem o espaço vago. E na política — como na vida —, presença nunca é detalhe: é mensagem.
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Por Tiago Felipe, Olha Aqui Notícias
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